Lágrimas do
sol. Ele grita, ele queima, ele vira
pó. Com ele eu pinto as barreiras do meu mundo, como
Alice, como
Coraline, como os outros contos de fadas. Só meu. Uma barreira impenetrável. Uma barreira invísivel. Invísivel para aqueles que não sonham. Invísivel para aquelas que não acreditam. Invísivel para qualquer um que tentar entrar em minha mente, e fazer de mim apenas mais uma escrava da mesmisse que circunda minhas entranhas, que invade meus olhos que atiça meus medos, que me faz abaixar a cabeça, que me empurra para trás. Eu corro. Eu enfrento os meus
dragões. Eu enfrento meus
trasgos. Eu escalo minhas
torres. Eu enfrento minhas
bruxas. Mas nenhum príncipe, nenhuma fada, nenhum cavalo, nem meus guerreiros, nem nada me espera do lado de fora. Eu me atiro no chão. A saudade me apunhala. E o
bicho-papão me leva de volta para meu reino. Sozinha, com meus dragões, meus trasgos, minhas torres, minhas bruxas. Sozinha. Eu e o
nada. Eu e o
tudo.